Não acredite em tudo que está escrito
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E lá estava eu revisando Organizações Internacionais, quando me deparo com o seguinte trecho no livro de Direito Internacional Público do Mazzuoli (pela RT, 2.Ed, 2005):
4. Organismos especializados da ONU
(…)
i) a Organização Mundial do Comércio…
Sinceramente? Não sei de onde ele tirou isso. Uma rápida olhada no site da OMC deixa claro inexistir qualquer relação de dependência com a ONU. Fica registrada então a repúdia ao citado livro, e a sugestão, como alternativa, do Rezek ou do Celso D. Albuquerque de Mello, que não são tão sucintos, mas de melhor qualidade.
Interessante, de qualquer forma, que isso levanta uma outra discussão: quão comum é ler determinados tópicos em um autor, tomar aquilo como verdade e depois descobrir que o sujeito representava minoria na doutrina, e ainda assim não se dignou nem a referir isso na obra (não me comprometo aqui, mas já ouvi alguém comentar que o Capez faz isso direto… alguém confirma?)?
Será que a única forma de evitar isso é ler mais de um livro por matéria (não que isso não seja recomendável por si só, mas às vezes simplesmente não dá tempo)? E mais: será que isso não demonstra uma falta de honestidade do próprio autor, que pretende, assim, defender sua tese e deixar o leitor na ignorância acerca das vozes em contrário?
Vida de estudante é fogo… na dúvida, dois manuais por matéria “importante” (até porque não dá pra processar o autor pela bobagem que se escreveu ou disse na hora da prova).
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Comentários
cara.. acho que você não leu direito o livro do MAZZUOLI… na página 575 do CURSO DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO dele (estou com a 3ª edição, de 2009…!!!!) está escrito com letras beeemmmm claras:
“Como já se disse, a OMC não é uma “agência especializada” da ONU, não sendo qualquer das suas atividades coordenadas
pelas Nações Unidas, como se depreende de sua política e do seu próprio acordo constitutivo (…).”
Acho que você deveria ter a língua menos afiada… Affe…
Fernando
Acredito que tenha lido direito sim o livro dele. Esse da foto, não o curso (que sequer tinha sido lançado à época – meados de 2007).
Que bom que no Curso houve essa retificação… o que não desqualifica minha crítica, até mesmo porque o Mazzuoli é utilizado como um EXEMPLO de autor que se passa FEIO e deixa o leitor com uma informação completamente equivocada.
De qualquer forma, valeu pela atualização.
Igor
náo entendi seu comentário cara… o cara é show… o livro então o melhor do Brasil… ei.. vi que vc vai fazer mestrado na UFRGS… leia as obras de maior peso antes de falar fera… citado no STF direto… Claudia Lima Marques adora… ow… de boa… o cara é exemplo pra mim sim!!
[...] f) Internacional Público: aqui peguei o Rezek, que é a melhor opção hoje disponível (não confio no Mazzuoli, por razões que quem me acompanha há tempos já sabe). [...]
Cara Graça
Caso eu entendesse que já tenho conhecimento e maturidade suficiente para escrever um livro, já o teria feito. Mas estou estudando para que esse ponto chegue.
Ter pressa dá nisso aí que demonstrei no Post.
Att
Bem, Mazzuoli foi meu professor na UFMT. Da aula dele não tenho do que reclamar. Isso não. O cara domina mesmo. Ha, é claro isso se colocarmos de lado seu “estrelísmo”. O livro, iniciei a leitura pelas aulas e “logo deixei de lado”. Não gostei. Mas as falas do Igor são procedentes. Afirmo com propriedade.
Poisé, é bem isso… a aula até achei boa (a que vi no Saber Direito), mas perdi a confiança no que ele escreve.
Não dá para ler um livro pensando que a cada página pode ter uma informação MUITO errada (ainda mais em uma matéria com conhecimento tão pouco difundido como DIP)
Igor,
Pensei que, nesse post, você fosse abordar alguma tentativa de zumbificação dos leitores por causa de um livro… Mas por causa de uma informaçãozinha você diz que o cara não merece confiança?
Se você lesse Paulo de Barros Carvalho – parece que esse você tem empoeirado na estante -, e visse que o autor afirma que as contribuições ora são impostos, ora são taxas, não as tratando como espécie tributária autônoma, você diria que o graaaande autor não merece confiança?
E se algum babaca ST-éfico inventa que, para a expansão dos efeitos do controle difuso de constitucionalidade, basta uma comunicação ao Senado, e não uma deliberação da casa legislativa, você diria que o Ministro é um doutrinador pilantra? A opinião deve só prevalece como racional, porque ele quem diz o que é direito. Se fosse apenas um gueto doutrinário, você teria o mesmo respeito por ele?
Didier, meu ídolo, peca quando diz que a capacidade de ser parte pode ser chamada de “personalidade judiciária”, como se o direito processual pudesse conferir personalidade a alguém, ignorando a universalidade da parte geral do Código Civil. Ele é desonesto por isso?
E os autores de direito penal, que chamam entidades da administração indireta de paraestatais, sem fazer qualquer crítica? Hein?
Todos os livros que você ler (espero que leia!) têm sempre pontos que são alvo de críticas. Gostaria que você tivesse tido acesso à edição 2004 de Fredie Didier, e desse a sua opinião. Há algumas aberrações conceituais e gramaticais que fariam você ter mais raiva dele do que de Mazzuoli.
No entanto, ambos os autores evoluíram – um escreveu a obra mais completa sobre direito internacional público da atualidade, e o outro tem o curso de processo civil mais racional que há. Mas a reputação dos dois se construiu com o tempo, com o amadurecimento dos seus estudos e de sua consciência doutrinária.
Assim como eles, você poderia também com o tempo.
1.
Não exijo isso, mas para quem faz críticas tão duras, você poderia pelo menos se identificar. Eu não fico magoadinho quando as pessoas discordam de mim.
2.
Bueno, se o mazzuoli HOJE merece confiança, não sei, mas deixa eu te perguntar uma coisa: imagine que você tem tempo “X” disponível para ler sobre um assunto. Aí você tem dois livros distintos. Só dá para ler um no tempo “X”. Você prefere ler aquele cujo autor já viste falar asneira, ou aquele cujo autor você simplesmente desconhece?
Sim, talvez hoje o Mazzuoli tenha uma obra fantástica. Realmente não sei. O que sei é que, desde que vi essa asneira que ele escreveu (não, não é uma informaçãozinha, é uma baboseira GIGANTE), não me sinto nem um pouco ESTIMULADO e lê-lo.
A propósito, não tenho raiva do sujeito (deuses! como ter raiva de um cidadão que não conheço?). Apenas o desconsidero enquanto doutrinador. Até pq, até onde sei, não escreveu nada muito original (e, se estou enganado, peço que mostre meu erro).
Bom, acho que já respondi ao teu comentário… se ainda te sentires ofendido com minha opinião, faça a gentileza de usar o melhor método de protesto conhecido na internet: tecle ALT+F4.
Igor você está tirando comentários do ar… o Guido Soares da USP também fala que a OMC é agência especializada da ONU, assim como sua orientadora Marta Gimenez também falou numa palestra… não tire os comentários!!
Caro guto macedo.
1. Da próxima vez, coloque seu e-mail VERDADEIRO no comentário.
2. Não, apesar de não considerar o blog uma democracia, não tenho por hábito apagar críticas.
3. A tua teoria é a de que “se muita gente fala, então tá tudo bem”?
4. Não tenho procuração para falar pela Martha Jimenez, mas nunca vi ela falar ou escrever isso. Favor citar a fonte.
5. Acabo de pegar o curso do Professor Mazzuoli (edição 2007). Ele segue repetindo essa asneira. Sem citar fonte, sem UMA notinha de rodapé sequer. Se alguém tiver algo que ele tenha escrito em que corrija a informação, favor divulgar aqui.
Creio que vocês não leram a primeira nota desses comentários; “na página 575 do CURSO DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO dele (estou com a 3ª edição, de 2009…!!!!) a informação vem precisa: “Como já se disse, a OMC não é uma “agência especializada” da ONU, não sendo qualquer das suas atividades coordenadas
pelas Nações Unidas, como se depreende de sua política e do seu próprio acordo constitutivo (…).”
Realmente o Guido Soares também fala a mesma coisa… agora acho que devemos parar com essa discussão… já não tem mais sentido… o Mazzuoli é o maior internacionalista brasileiro atual.. ninguem escreveu uma obra mais completa do que a dele… ninguem… como o leitor acima disse todos evoluem… Fredie Didier evoluiu etc… e as obras vão se tornando melhores…
Caro Fernando
Olha, o post é de 2007. A discussão só ressurgiu recentemente quando os associados ao fã-clube do Mazzuoli descobriram sua existência.
Não vi o manual do cara de 2009. Tive acesso nas últimas semanas ao de 2007, e a informação seguia errada lá também. Se você diz que isso foi atualizado, acredito.
Daí a chamar o sujeito de o maior internacionalista brasileiro… já são outros 500.
O cara é um bom professor. Nada mais.
Qual a sua grande obra de destaque? Um manual para graduação?
Em que ele efetivamente fez evoluir a compreensão que temos (brasileiros e a própria comunidade internacional) do DIP?
Vender livro não habilita ninguém a ser chamado de grande jurista (cretella jr. que o diga).
Ou isso ou eu realmente espero demais de alguém para reputá-lo merecedor de admiração.

[...] palestrante será Valério Mazzuoli (aquele que eu xinguei aqui há mais de um ano) e o programa vai ao ar de segunda a sexta, às 7 da manhã, com reprise às 11 e meia da noite (um [...]